Rock é coisa de garota, sim!

Fomos ao Girls Rock Camp Brasil, um acampamento para garotas que prova que música não tem gênero

Sabe quando você assistiu Escola de Rock e pensou “Nossa, seria demais se isso existisse!”? Pois é, alguém foi lá e fez. O Girls Rock Camp é um acampamento de uma semana pra garotas de 7 a 17 anos. Ele já está na sua terceira edição e rola em janeiro, na cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo.

No Camp, as aulas de música são um pouco diferentes. Claro, as meninas aprendem os acordes básicos e algumas regrinhas, mas a base mesmo é o conceito do punk rock de faça-você-mesma. Brincar com um instrumento, explorar o som, criar tons e sequências insanas: não há regras. E é assim que meninas que nunca seguraram um instrumento na vida saem de lá arrasando e tocando sem amarras.

Show da banda Sombras da Noite com sua música própria “Liberdade e Orgulho”: “Somos todas iguais com atitudes diferentes/ Amigas de verdade estão sempre com a gente/ Lute contra o preconceito, é o que importa para nós/ Nós temos atitude, vamos soltar nossa voz!/ (...)”. // Foto por Luíza Fazio

Show da banda Sombras da Noite com sua música própria “Liberdade e Orgulho”: “Somos todas iguais com atitudes diferentes/ Amigas de verdade estão sempre com a gente/ Lute contra o preconceito, é o que importa para nós/ Nós temos atitude, vamos soltar nossa voz!/ (…)”. // Foto por Luíza Fazio

A Flávia Biggs e a Geisa França, que trouxeram a ideia pro Brasil, contaram pra gente que tudo começou em 2004, lá em Oregon, nos Estados Unidos. A Flávia curtiu tanto a ideia quando descobriu o projeto, que foi até lá ser voluntária!

A música é apenas o meio que usamos pra fazer as meninas criarem mais confiança em si mesmas, se unirem e entenderem que podem fazer tudo o que quiserem.
Flávia Biggs, idealizadora

Quando voltou, montou uma oficina de guitarra só pra garotas e depois conseguiu ajuda para fazer o Girls Rock Camp Brasil.

Ao chegarem ao acampamento, as 60 meninas se dividem em grupos e formam bandas. Elas podem escolher entre voz, baixo, bateria, guitarra e teclado. O negócio é profissional: cada banda tem uma empresária e uma produtora. Depois que o nome foi definido por cada grupo, elas tiram fotos promocionais, criam o logo, fazem camisetas nas aulas de serigrafia, desenham fanzines e compõem a música própria que será tocada no show, no último dia do acampamento.

E além das oficinas destinadas ao mundo da música, elas também têm aulas de skate, grafitti, defesa pessoal, expressão corporal e auto-conhecimento.

Meninas podem fazer tudo: andar de skate, tocar, lutar. Não tem isso de “menina não pode”
Ana Laura Campos, 10 anos

Fanzines das bandas formadas na edição de 2015: Black Bird, Bloody Apple, Crazy Dream, Cupcakes Radioativos, Electro Gunthers, Honey Black Bears, Queens of Noise, Semidivas, Sombras da Noite e We Are Free.

Fanzines das bandas formadas na edição de 2015: Black Bird, Bloody Apple, Crazy Dream, Cupcakes Radioativos, Eletro Gunthers, Honey Black Bears, Queens of Noise, Semidivas, Sombras da Noite e We Are Free. // Foto e montagem por Luíza Fazio

Muitas garotas já estão no seu 3º ano de Camp e a cada vez tocam um instrumento diferente. Algumas bandas que foram formadas no acampamento, como as Power Girls e as Lady Girls, continuam na ativa e as garotas fazem turnês e mantém canais do YouTube.

O que eu mais gostei foram as amizades que eu fiz. Eu sempre fui um pouco deslocada na minha escola, mas aqui encontrei outras meninas que gostam das mesmas coisas que eu
Luíza Almeida, 13 anos

As instrutoras musicais fazem parte de bandas como Anti-Corpos, Human Trash e Bloody Mary Una Chica Band. Já as outras voluntárias vêm de diversas áreas, do audiovisual às artes plásticas, mas todas passam por um período de treinamento.

O projeto é apoiado por personalidades como Pitty, Laerte e Katina Buhr e funciona na base da colaboração e do voluntariado.

Ano passado, conseguiu reunir quase 30 mil reais através de financiamento coletivo. Mas como equipamentos de som são caros, só foi o suficiente para comprar amplificadores e teclados. As guitarras, baterias e baixos ainda são emprestadas ou doadas.

“Me disseram pra sair do labirinto/ Me disseram pra dizer o que eu sinto/ Sinto muito lhe dizer, não vou para de correr/ Não deixe nada acabar/ Não deixe a porta se fechar/ (…)”
Música “Don’t Stop Running”, da banda Black Bird

Na aula de voz, Julia Soares, vocal da banda Bloody Apple, ensaia a música “Respeite as Meninas”, composta por todas da banda. // Foto por Luíza Fazio

Na aula de voz, Julia Soares, vocal da banda Bloody Apple, ensaia a música “Respeite as Meninas”, composta por todas da banda. // Foto por Luíza Fazio

Curtiu? Quer colaborar? Conheça mais o projeto em:

girlsrockcampbrasil.org

fb.com/girlsrockcampbrasil

E se você quer se inscrever pra edição do ano que vem, fica de olho, porque as vagas acabam em 3 dias!

+ pra inspirar, uma playlist com bandas de mulheres!

Luiza Fazio

Vivendo em um musical de baixo orçamento.

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