Quebrando o tabu da camisinha feminina

Fatos e mitos sobre o método anticoncepcional

Camisinha feminina. São só duas palavras, mas o constrangimento e censura em torno delas é imenso. Na verdade, a maior parte das pessoas parece pensar que ela é algo entre uma água-viva e um instrumento de tortura medieval. E a ideia de enfiar qualquer uma dessas coisas na própria vagina é levemente repulsiva.

Marloes Duyker

Marloes Duyker

Não é que a gente discorde inteiramente – a aparência não é lá aquelas coisas. Ela é grande e esquisita. Mas vamos combinar que a camisinha masculina não é exatamente bonita, certo? Mas com ela estamos acostumados. O grande mal da camisinha feminina é a falta de informação: ela raramente é divulgada aqui no Brasil, o que a torna desconhecida e causa estranhamento. Daí, como a procura é baixa, acaba sendo difícil de encontrar, o preço é mais alto etc. No fim, parece que o problema é mais uma má reputação preconceituosa do que qualquer outra coisa.

O que é tão importante a respeito da camisinha feminina é o fato de que ela devolve o controle à mulher. Você não precisa “arriscar” transar sem proteção só porque o seu parceiro não trouxe a dele – se o problema é que ele se recusou a usá-la, talvez você deva reconsiderar se vai querer mesmo transar com essa pessoa. Às vezes as coisas ficam intensas, a gente esquece de pensar racionalmente e acaba desencanando de se proteger. Isso é muito, muito perigoso e a melhor maneira de impedir uma situação como essa é estar sempre preparada.

Além disso, vale lembrar: introduzir um elemento novo no sexo deve ser visto como algo estimulante – uma fonte de prazer associada à tranquilidade da proteção. O poder de conversar sobre novas maneiras de se proteger é uma ferramenta muito importante para estimular uma relação saudável. A camisinha feminina te empodera, te permite proteger seu corpo de acordo com seus próprios termos.

Fatos, curiosidades e alertas sobre a camisinha feminina

1. Ela é mais segura que a masculina

A camisinha feminina (vamos chamá-la de Judite) protege a vulva (“entrada” da vagina), tornando-a mais eficiente na proteção contra o HPV. Além disso, ao contrário da camisinha masculina, ela tem menos chances de se deslocar.

2. Ela não depende de uma ereção

HA! Não precisa nem quebrar o clima. Você pode, inclusive, sair de casa com a Judite, ou colocá-la duas ou três horas antes de a relação acontecer.

3. Ela não pode ser usada ao mesmo tempo que a masculina

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Nunca, jamais, de maneira alguma use a Judite ao mesmo tempo que seu parceiro usa uma camisinha masculina. Usar as duas juntas pode gerar atrito, o que poderia fazer com que elas saíssem do lugar ou se rompessem. Ou seja, você não está se protegendo mais, e sim, menos.

4. Ela é mais resistente

A maioria das camisinhas masculinas é feita de látex, enquanto o material da Judite é o poliuretano, mais resistente e mais difícil de romper. Isso também significa que ela é menos propensa a gerar alergias.

5. Ela é fácil de ser introduzidaanigif_enhanced-20222-1393342839-8

Colocar a Judite não é nenhum monstro de sete cabeças. Ela funciona mais ou menos como um OB (veja aqui um passo a passo para aprender). Você deve inseri-la deixando pra fora o anel, que vai se acoplar à vagina. Garotas que não tenham tanta intimidade com seu corpo, ou por não usarem OB ou por não terem o costume de se tocar, talvez tenham um pouco mais de dificuldade, mas sem neuras: um pouco de prática é suficiente e você sempre pode pedir orientações para seu ou sua ginecologista.

6. Ela pode fazer ruídos

A Judite é como se fosse uma bolsa, portanto, pode haver a possibilidade de acumular ar entre ela e a vagina. A sensação de atrito e ruídos durante a relação é uma reclamação frequente entre as usuárias, mas é importante lembrar: isso não vai necessariamente acontecer e, se acontecer, não há nada de errado – é apenas uma questão de costume. Aliás, vale lembrar que a camisinha masculina também pode fazer barulho. E, afinal, sexo não é feito em silêncio de qualquer maneira.

7. Ela pode ser usada em relações homossexuais

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Muitas garotas acham que, por não haver penetração, não precisam usar preservativo no sexo homossexual. Isso é falso. Você pode não engravidar, mas ainda está exposta a várias doenças quando transa com outra garota. A Judite te protege e, embora a sensibilidade diminua um pouquinho, o tempo da excitação aumenta, porque ela ajuda a lubrificar. Ela também vale para o sexo anal, ou seja, pode ser utilizada por homens e mulheres.

Colaborou a Dra. Albertina Duarte Takiuti, ginecologista e coordenadora do Programa de Saúde do Adolescente do Estado de São Paulo

Camila Lafratta

Feminista, deboísta, (quase) jornalista. Mãe de uma chinchilla agorofóbica e uma gata rajada sem um pingo da tal elegância felina. Tags: Nutella, tatuagem, Harry Potter, tênis, cachos, viagens.

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