Inflação: qual é a necessidade disso?!

Entenda o que significa a palavra mais chata do universo

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Você já deve ter ouvido por aí expressões como “inflação galopante”, “ meta de inflação” e “a inflação está comendo meu salário!”, certo? Mas o que exatamente significa inflação – e por que todo mundo tem tanto medo dela?

Para a economia, inflação é quando a moeda de um país passa a valer menos, ou seja, compramos menos coisas com uma mesma quantidade de dinheiro. Popularmente, a palavra é usada com sentido de “aumento generalizado dos preços” – o que, no fim das contas, acaba sendo mais ou menos a mesma coisa. Quando o dinheiro vale menos, você precisa de mais para comprar a mesma coisa.

Um exemplo básico: há 3 anos, comprei uma camiseta por R$ 25. Hoje, voltei na mesma loja e ela está custando R$ 30. O preço aumentou, mas a peça de roupa é a mesma: ela é feita do mesmo material, pela mesma fábrica, e vai durar a mesma quantidade de tempo se for utilizada e lavada do mesmo jeito que a antiga.

O que aconteceu, então, para o preço mudar? O dinheiro não possui mais o mesmo valor que há três anos. 25 reais, hoje, valem menos que na época da outra compra.

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Lembre-se que dinheiro e valor não são sinônimos: o valor do dinheiro está sempre mudando mas, em economias seguras, ele muda mais devagar do que naquelas em instabilidade. Neste exemplo, foi preciso mais dinheiro para comprar a mesma roupa.

Mas, afinal, o que causa inflação? O valor do dinheiro é consequência de como funciona a economia de um país. A inflação ocorre principalmente quando a quantidade de moeda em circulação é maior do que a produção.

A economia possui dois lados: o dos vendedores e o dos consumidores. Quando há um descompasso em um destes pólos, ocorre a inflação.

Por exemplo, quando os consumidores estão com muito dinheiro e há muito crédito disponível, tendem a gastar mais. Se a produção de um país se mantém a mesma mas há mais moeda em circulação, ou seja, mais gente está consumindo, o valor do dinheiro cai. Esta seria a inflação de demanda.

Crédito, neste caso, é quando o banco empresta dinheiro – cobrando juros, claro. Se os juros estão baixos e o banco está liberando mais empréstimos, mais gente pode pegar dinheiro e comprar.

Por outro lado, há também a inflação de oferta. Quando ficam mais caros os custos de fabricação, os vendedores repassam este preço aos consumidores. Por exemplo, quando há aumento de salários ou no preço de uma matéria-prima importante.

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Porém, é preciso lembrar que não se considera inflação quando há uma alta apenas no preço de um determinado produto: por ser uma diminuição do valor do dinheiro como um todo, a inflação é sentida pela alta de preços dos principais bens de consumo em um país.

Mas não se assuste! Uma inflação controlada é um dos sintomas de que uma economia está funcionando bem: o dinheiro está circulando normalmente. Muitos economistas consideram que uma situação estável e saudável é quando há um aumento de preços  entre 2 e 4,5% ao ano.

É por isso que se fala em “meta de inflação”: até onde os preços podem aumentar sem que seja prejudicial para a economia do país. No Brasil, o governo colocou 6,5% como máximo aceitável para a inflação de 2014.

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No entanto, quando a inflação começa a aumentar muito e/ou muito rápido, é preciso que o governo tome medidas para contê-la.  Por exemplo, fala-se muito em “aumento da taxa de juros”: com juros mais baixos, a população tende a comprar mais, pois pode dividir o valor da compra em várias vezes ou pegar mais dinheiro emprestado nos bancos. Quando o juro está mais alto, as pessoas deixam de fazer empréstimos e de comprar coisas cujo valor precisariam dividir – ou seja, freia-se o consumo. E, se o dinheiro circula menos, a inflação fica mais controlada.

No Brasil, nos últimos anos, a inflação tem fechado por volta de 6% ao ano – às vezes mais, às vezes menos. É por isso que tanto se fala de inflação na imprensa brasileira: para alguns economistas, ela está muito acima do que seria considerado ideal.

Outros, porém, consideram que ela ainda está em um valor aceitável: se o governo brasileiro estabeleceu 6,5 % como meta de inflação, até esse ponto ela não atrapalharia o fluxo de nossa economia. Para estes economistas, cada economia funciona de uma forma diferente, e modelos pré-definidos muitas vezes não se encaixam em todas.

MINIDICIONÁRIO ECONÔMICO

Oferta: a quantidade de bens de consumo disponível para compra.

Demanda: a quantidade de pessoas que desejam comprar algo.

Juros: é uma espécie de “aluguel” sobre o dinheiro. Quando você pega uma quantidade emprestada, precisa pagar uma taxa por isso. E, se divide uma compra em várias vezes, o juro cobrado é uma espécie de “compensação” pela facilidade de poder pagar em parcelas.

Taxa mínima de juros: definida pelo Banco Central, é a menor taxa de juros cobrada em uma economia. Não precisa ser exatamente o valor do governo – muitos setores cobram taxas maiores. Quando o governo quer frear a economia, ele aumenta a taxa mínima. Assim, os juros cobrados em todo o país serão maiores, não importa em qual setor, e as pessoas comprarão menos.

Bens de consumo: tudo aquilo que uma pessoa pode comprar e utilizar para satisfazer suas necessidades. Por exemplo, comida, roupa, móveis, eletrodomésticos, automóveis, etc.

Com consultoria de Fernanda Seidel Oliveira, economista pela Universidade de São Paulo

Maria Cortez

Tem mais miopia que horas de sono. Metade capixaba, metade paulistana, gosta tanto do mar do Espírito Santo quanto das cores de São Paulo.

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