Israel-Palestina: adolescente brasileira conta como é morar em Israel

Amanda Bromberg, paulistana, estava há nove meses no país quando começou o último conflito com Gaza

Reprodução Facebook

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Amanda Bromberg, paulistana, passa por uma mudança radical em sua vida. Há alguns meses, a menina de 15  anos se mudou com a família para Raanana, uma cidade próxima a Tel Aviv. Seus pais não gostavam muito do Brasil e, por terem origem judaica e amigos que já moravam em Israel, resolveram ir morar no país.

Além de ter que se adaptar a uma cultura e língua diferentes, ela viveu algo completamente novo: a realidade de se estar em um país em guerra. Amanda já morava em Israel há nove meses quando começou a ofensiva militar israelense na faixa de Gaza.

Quais as suas impressões desde que você chegou em Israel?

Eu gosto muito daqui, da liberdade, da segurança… É muito estranho, porque eu nunca me senti assim no Brasil. Poder andar na rua sozinha sem me preocupar, mexer no celular, ou se eu estou com um shorts muito curto. Eu me sinto mais livre e segura.

E a respeito da religião, no Brasil você era bastante envolvida? Qual é a diferença aí?

No Brasil, eu não era muito religiosa. Ia na Sinagoga nos feriados, fazia algumas coisas do shabat. Aqui, há muitas pessoas que seguem tudo, como usar saias, por exemplo. Mas minha escola nao é tão rígida: só não posso andar de Havaianas ou coisas do tipo. É mais uma coisa de respeito do que de religião.

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Como é a sua rotina aí?

Quando eu cheguei aqui, fazia vôlei, passeava por Tel Aviv, Jerusalém e ia no shopping. Na escola, tive aulas de hebraico, porque existem muitos imigrantes. Mas eu ainda não falo fluentemente.

E desde esse último conflito, algo mudou no seu dia a dia?

Com certeza. Antes, eu não tinha medo de nada, me sentia muito livre, andava de ônibus, a pé… Nos primeiros dias da guerra, eu estava aterrorizada, com medo de ataque. Eu nunca tinha tido uma experiencia assim, só tinha o olhar de fora. Quando você passa pela situação, é muito diferente. Nas férias, eu deixei de fazer muita coisa, fiquei meio paranóica. A gente entrou umas 12 vezes no bunker [abrigo à prova de bombas], mas não teve nenhum ataque aqui.

E desde que tudo começou, vocês só falam disso ou a vida continuou normalmente?

No começo, eu só falava sobre isso, com família, amigos… Mas agora não tanto, porque pra eles é uma coisa normal, já passaram por isso muitas vezes. Toca a sirene, você vai pro bunker, passa 5 minutos e volta a trabalhar.

Quando passa alguma coisa importante sobre isso no jornal, os amigos dos meus pais me explicam. Também tem muita informação nas redes sociais.

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Como é o convívio com árabes em Israel?

Na minha cidade quase não há árabes. A maior parte trabalha nos shoppings ou supermercados. E não sei se aceitam árabes na minha escola, porque não conheço nenhum.

Já quis conhecer quem esteja vivendo em áreas de conflito?

Eu gostaria sim. É a opinião dos outros, né? Queria conhecer como eles estão enfrentando isso, a vida de quem está aí e de repente tem uma bomba explodindo do seu lado. Principalmente os árabes.

Você pensa em continuar em Israel? Tem planos para o futuro?

Eu queria ir pro Exército, acho interessante essa ideia de proteger o seu país, sabe? Os amigos que você faz no Exército são para a vida inteira, é uma experiência. Os israelenses levam isso como uma honra aqui, essa coisa de proteger o seu país, é diferente do Brasil. Sobre faculdade, não sei. Há algum tempo eu queria ser nutricionista. Demorei muito para ter uma ideia do que eu quero ser. Mas é só uma ideia, ainda tem tempo.

 

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Camila Lafratta

Feminista, deboísta, (quase) jornalista. Mãe de uma chinchilla agorofóbica e uma gata rajada sem um pingo da tal elegância felina. Tags: Nutella, tatuagem, Harry Potter, tênis, cachos, viagens.

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