Israel-Palestina: entendendo o conflito

Apesar dos muitos esforços para a paz, povos vizinhos entram e saem de guerras há mais de 60 anos

Em 2014, israelenses e palestinos estiveram, mais uma vez, em um conflito armado. Desde a criação do Estado de Israel, os dois povos se desentendem com certa frequência. Só nos últimos 5 anos, foram 2 pesados confrontos (2012 e 2008-2009) além deste último, que começou em 8 de julho e durou cerca de 50 dias.

Mas, afinal, o que causou a última guerra? A situação entre israelenses e palestinos já vinha tensa há algum tempo e se agravou: em 12 de junho, três adolescentes israelenses foram sequestrados e alguns dias depois encontrados mortos. O governo de Israel acusou o Hamas (grupo militante da faixa de Gaza) de ser o responsável pelo crime. Como uma espécie de “vingança”, no início de julho, um jovem palestino também foi sequestrado e assassinado por israelenses. Estava montado o cenário para o conflito.

Em 8 de julho, Israel começou a ofensiva militar. O objetivo declarado foi atacar militantes do Hamas e destruir seus armamentos e túneis. Para isso, foram utilizados bombardeios aéreos e ataques terrestres. O Hamas, em resposta, lançou foguetes contra Israel.

Reprodução

O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em campanha da marca United Colors of Benetton

No conflito, morreram mais de 2.000 palestinos, a maioria civil. Do lado israelense, foram cerca de 70 mortes. A faixa de Gaza ficou destruída e seus habitantes enfrentam agora uma grave crise humanitária e imobiliária.

Para entender – ainda que por alto – por que Israel e Palestina vivem nessa tensão que nunca tem fim, não adianta buscar respostas simples. O problema envolve, além de uma intolerância religiosa milenar, questões de poder, briga por território e violência extrema de ambos os lados. No pano de fundo, a geografia: os dois povos habitam há séculos a mesma região e tanto árabes quanto judeus acreditam que aquelas terras lhes pertencem.

Se dois povos disputam um mesmo território, surge o conflito político. E, neste caso, embasado inclusive pela religião: a região da Palestina, entre o mar Mediterrâneo e o rio Jordão, é sagrada tanto para os judeus quanto para os muçulmanos. Ainda que, por vários séculos, o povo árabe tenha sido maioria no local, israelenses defendem que aquela é a terra santa prometida por Deus ao povo judaico.

 

Arte por Luíza Fazio

Arte por Luíza Fazio

Palestina: o que é?

Palestina é o nome do local entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo. Porém, após a criação do Estado de Israel, a palavra passou a ser mais usada para se referir aos territórios árabes na região.

Há dois territórios palestinos:

- Cisjordânia: é governada pela Autoridade Nacional Palestina, governo reconhecido por Israel e pela ONU. O principal partido político é o Fatah: de centro-esquerda, ele prega a reconciliação entre os dois povos rivais.

- Faixa de Gaza: é controlada pelo Hamas, grupo militante islâmico palestino que não reconhece o Estado de Israel nem os acordos assinados entre israelenses e outros grupos palestinos.

mint-lemonade.com

Bandeira da Palestina (comestível) | mint-lemonade.com

Apesar de contarem com governo e cultura próprios, os territórios palestinos não são um Estado.

O Fatah defende que a solução para o conflito seja a criação de dois Estados: um israelense, outro palestino. A Nação Palestina seria a união entre a Cisjordânia e a faixa de Gaza. Mas também há um problema aí: já que as duas regiões são distantes geograficamente, como ficariam interligadas? Se fosse criada uma passagem terrestre, ela atravessaria Israel.

Já o Hamas defende a criação de um Estado único, Palestino, que ocuparia toda a região: a área da faixa de Gaza, a da Cisjordânia e Israel. Além de não reconhecer o Estado israelense, o grupo militante tem um histórico de ataques ao país vizinho. Esses são alguns dos motivos por que Israel considera o Hamas um grupo terrorista.

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A vida de garotas no meio do conflito

Conversamos com Sarah Alkhatib, que mora na faixa de Gaza, e Amanda Bromberg, de Raanana, em Israel. Cada uma delas tem a experiência de viver um dos lados dessa história: Sarah, durante o último conflito, ficou cerca de 50 dias sem poder sair de casa; Amanda, brasileira, se mudou para Israel há pouco tempo e foi a primeira vez que viveu a experiência de estar em um país em guerra. A seguir, os links para as entrevistas com cada uma dessas meninas:

Viver na faixa de Gaza

Adolescente brasileira conta como é morar em Israel

 

História

Fizemos uma linha do tempo com os principais acontecimentos entre Israel e Palestina. Veja aqui! 

 

Quer saber mais?

Essa animação à la Hércules explica o conflito:

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BBC: “10 perguntas para entender o conflito entre israelenses e palestinos”

BBC: “Hamas, da primeira Intifada ao atual conflito com Israel”

Aventuras na História: “Árabes X Israelenses: sangue do mesmo sangue”

 

Com colaboração de Camila Lafratta

Maria Cortez

Tem mais miopia que horas de sono. Metade capixaba, metade paulistana, gosta tanto do mar do Espírito Santo quanto das cores de São Paulo.

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